Homeless World Cup: quando o futebol vira oportunidade de recomeço
- fffciacontato
- 24 de mar.
- 3 min de leitura
A Cidade do México está se preparando para sediar duas Copas do Mundo!

Faltando menos de 90 dias para a maior Copa do Mundo de todos os tempos que irá ocorrer em três países diferentes: Canadá. Estados Unidos e México não se fala em outra coisa, mas e a Homeless World Cup (Copa do Mundo dos Sem-Teto), você já ouviu falar?
Os seus criadores Mel Young e Harald Schmied estavam participando de uma conferência internacional da International Network of Street-papers, uma publicação presente em mais de 35 países, que tem como objetivo ajudar pessoas sem-teto ou em condições precárias de moradia, a saírem desta situação.
Durante a conversa, Mel e Harald trocaram muitas experiências sobre o que estavam vivenciando, mas sentiam falta de uma integração entre as pessoas que participavam desse projeto.
Então, os amigos pensaram em criar um torneio de futebol para contribuir com a integração dessas pessoas e dar uma oportunidade de mudar a vida delas e, assim, surgiu a Homeless World Cup com as suas próprias regras específicas.
Os times são formados por oito jogadores (quatro titulares e quatro reservas) e as substituições são livres. Cada partida tem dois tempos de 7 minutos cada. A quadra tem 22m x 16m e proteções laterais de 1,10m. Já a área de gol é um semicírculo de 4m de raio, tendo as balizas 4m de largura e 1,30m de altura.
A arena remete ao futebol de rua, jogado por milhões de moradores de rua mundo afora. Uma regra específica, que torna o jogo bastante dinâmico, é a exigência de que cada time mantenha sempre um jogador no campo de ataque. Desta maneira, são até três atacantes sempre contra dois defensores, no máximo.
Após 18 meses da idealização do projeto, em julho de 2003, em Graz, na Áustria, aconteceu a primeira Homeless World Cup com a participação de 17 seleções. O Brasil participou levando um time formado pelos vendedores da revista Ocas.
O evento foi competitivo na sua essência, mas promoveu o jogo limpo, a integração global de jogadores, que enfrentavam desafios semelhantes.
Desde o primeiro torneio, lá no início dos anos 2000, a competição ocorreu todos os anos, exceto no período da pandemia.
Hoje, são disputadas diversas categorias, proporcionando uma sensação de realização para equipes de todos os níveis de habilidade.

Tais diferenças entre os níveis e as situações de cada participante podem ser observadas no filme Jogo Bonito, lançado pela Netflix em 2024. O filme conta, de forma mais leve, histórias reais da Homeless World Cup que ocorreu em Roma. A narrativa aborda alguns temas como: a dificuldade em conseguir chegar até a competição, o relacionamento entre os jogadores, a superação, o trabalho em grupo e o senso de pertencimento que o torneio promove entre os seus participantes. Vale a pena assistir como complemento a este texto.
E como eu já falei lá em cima, a próxima Homeless World Cup será na Cidade do México, uma das cidades-sede da copa do mundo, a organização ainda não divulgou as datas. Mas pelos números das últimas edições foram aproximadamente 50 países participantes, 500 jogadores e inúmeras histórias de superação a serem escritas.
No Brasil o time que irá a Homeless World Cup é organizado pelo projeto Futebol Social, fundado por Guilherme Araújo, responsável pela formação das seleções brasileiras masculina e feminina que jogam não só este torneio como também outros eventos internacionais.
Consta no site da instituição os seguintes dizeres: “Através de nossas ações buscamos proporcionar experiências de vida únicas a jovens que têm no esporte a chance de conhecer outras realidades e viver momentos de lazer e entretenimento, que acreditamos serem poderosas ferramentas na luta contra a pobreza e a violência do dia a dia.”
No site da Homeless World Cup há números significativos sobre o impacto social:
● 1,2 milhões de vidas mudaram desde 2003;
● 94% dos participantes dizem que a Homeless World Cup (Copa do Mundo dos Sem-teto) impactou positivamente suas vidas;
● 83% dos jogadores melhoraram as relações sociais com familiares e amigos;
● 76% continuam a gostar do esporte e a praticá-lo.

E para quem quiser saber mais sobre a Homeless Worls Cup no site você pode encontrar mais informações e se aprofundar neste universo que transforma a vida de milhares de pessoas ao redor do mundo.
Vanessa Bortoletto é publicitária formada na Universidade Metodista de São Paulo, pesquisadora e escritora apaixonada por esportes e pelas histórias encantadoras que esse universo proporciona.




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